Sidebar

Menu Principal

25
Ter, Jun

 

Geral

Uma Audiência Pública debateu nesta sexta-feira (08) o “Planejamento e as Ações Efetivas de Combate à Criminalidade no município de Campos”. O debate, solicitado pelo vereador Thiago Ferrugem (PR), contou com a presença do deputado Estadual, Bruno Dauaire; o delegado Regional da Polícia Civil, Daniel Bandeira; o coronel Wolney Dias, representando o Comando de Policiamento de Área (6º CPA) da Polícia Militar; o delegado da 134ª Delegacia Legal (DL/Centro), Pedro Emílio; o delegado Luis Maurício Armond, da 146ª DL/Guarus; o comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM), coronel Fabiano Santos; o comandante do Guarda Civil Municipal (GCM), Fabiano Mariano; e o superintendente de Paz e Defesa Social do município, Carlos Darcileu Pessanha. Além dos vereadores Neném (PTB), Joilza Rangel (PSD), Josiane Morumbi (PRP), autoridades locais e regionais.

“Gostaria de agradecer a todas as autoridades aqui presentes e dizer que nós queremos uma Audiência Pública produtiva. A gente espera sair daqui com decisões claras. Espero que possamos deixar as diferenças políticas de lado para trabalhar em prol deste tema. Os dados sobre homicídios em Campos são alarmantes e queremos sair daqui hoje com um documento para ser endereçado ao presidente da República e ao general Braga Netto, pois hoje eles são os responsáveis pela segurança pública do estado do Rio. Solicito que os projetos apresentados sejam enviados para essa Câmara para que nós vereadores possamos apreciar. Além disso, todas as ideias aqui levantadas estão sendo anotadas para compor o documento que será acompanhado pelos vereadores e deputados”, disse Thiago Ferrugem.

O delegado regional lembrou a crise no estado. “Vivemos um momento em que o estado vive a bancarrota e isso reflete em seus aparelhos de segurança, que ficam desguarnecidos para atender a sociedade. Aqui em Campos temos dois delegados dedicados e que vivem comigo as angústias de trabalhar sem estrutura”, disse Daniel Bandeira.

“Guarus hoje tem o maior índice de criminalidade letal da região. Temos uma comunidade extremamente carente de atenção, que vive no abandono. E nessa ausência do estado, o crime toma conta. Pra trabalhar em toda a região nós temos vinte e poucos policiais e duas viaturas. Uma alternativa é o apoio do Exército que tem seu batalhão em Guarus, além de realocar presos, pois hoje prendemos traficantes de Guarus que vão para o presídio no mesmo local. Se forem adotadas medidas de baixo custo, de forma organizada e conjunta, nós conseguimos reduzir em até 50%”, declarou Luis Maurício Armond responsável pela 146ª DL/Guarus.

Pedro Emílio falou ressaltou outras ações. “Sem educação, sem saúde e sem dignidade da pessoa humana não há segurança pública. Hoje devemos debater e dar atenção a situação de Guarus, que ameaça todo o norte fluminense. Pois se chegarmos a um nível de organização criminosa como na capital do estado, vai ficar muito mais difícil de combater, pois temos ainda menos recursos para isso. Quanto a 134ª DL, vivemos um momento de redução nos números, chegamos a 100% de resolução dos homicídios no último trimestre”.

Representando o 6º CPA, o coronel Wolney falou sobre o código penal. “Ambos os delegados falaram com muita propriedade sobre o tema. Hoje se colocarmos toda a força do exército, marinha, polícia militar e força nacional na rua não vai adiantar, pois hoje temos um código penal que beneficia ao bandido, que é liberado logo após ser preso”.

O comandante do 8º BPM ressaltou a responsabilidade do órgão. “Somos o maior batalhão do estado, responsável por quatro municípios. Vivemos uma crise de investimentos em estrutura e mesmo assim, em conjunto com a Polícia Civil, conseguimos reduzir vários índices. Hoje nós já temos aprovado a criação de um batalhão em Guarus, mas devido à crise ainda não foi possível. Mesmo assim a região está muito bem representada por seus policiais, mesmo com poucos recursos. No segundo semestre de 2017 nós tivemos umas redução de 27% no roubo de veículos e 15% no roubo de rua”, em seguida o coronel fez uma apresentação sobre toda a estrutura e trabalhos realizados pelo batalhão.

Em nome da Guarda Municipal, Fabiano disse: “A gente fica angustiado em falar deste tema, pois além de trabalhar e responder pelo tema, nós também vivemos aqui, então vivemos essa dupla angústia. Nós apoiamos, de acordo com a lei, as ações de segurança pública. Mas é importante destacar que é necessário segurança para trabalhar, como fizemos em escolas em Guarus”. O superintendente de Paz e Defesa Social lembrou ações. “Estou superintendente hoje, mas sou policial militar e enquanto munícipe acredito que as ações devem ser através da educação. Tudo passa pela educação, pois como sabemos é melhor educar o jovem hoje do que punir amanhã. Quando falamos em segurança pública, devemos lembrar a iluminação pública, ações em saúde para dar dignidade e ações sociais de inclusão de jovens na sociedade”.

Como vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Bruno Dauaire falou sobre o trabalho da comissão. “O interior hoje é quem mais nos demanda ações. Sou o presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Sabemos que temos diversos policiais do interior trabalhando nas UPPs que poderiam estar atuando nos batalhões do interior. Portanto, nós temos a esperança de que sejam convocados os policiais concursados, já que o interventor militar (general Braga Netto) disse estar fazendo esse levantamento. Em quem sabe dessa forma poderemos implementar o batalhão de Guarus”.

Entre os inscritos falaram: Jéssica Oliveira do Coletivo José do Patrocínio, Felipe Drumond da 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o jornalista Jorge Luís dos Santos, Wladmir Garotinho do gabinete do deputado Bruno Dauaire, José Pereira da Polícia Civil, Ana Caroline Tomás do Movimento Negro Unificado e LGBT, Júlio César Jubiraca do Parque Eldorado, Adriano Charutinho da Baixada Campista, Lebron Victor da Ong Basquete de Rua, Thayná Carvalho da UFF, o líder comunitário Carlão Ritter, Cássio Araújo líder comunitário do Parque Prazeres, Gilberto Totinho do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR), Manoeli Ramos da Escola de Cultura Popular Mãos Negras, o advogado Joviano Azevedo e Ney Azevedo da Ong Somos Juntos.

*Por Vivianne Chagas - Ascom Câmara Campos