{"id":759,"date":"2000-11-15T18:19:01","date_gmt":"2000-11-15T20:19:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/site\/?p=759"},"modified":"2024-12-21T13:43:24","modified_gmt":"2024-12-21T16:43:24","slug":"luiz-carlos-de-lacerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/site\/luiz-carlos-de-lacerda\/","title":{"rendered":"Luiz Carlos de Lacerda"},"content":{"rendered":"\n<p>Memorial\u00a0\u00a015 Dezembro 2015<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luiz Carlos de Lacerda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Luis Carlos de Lacerda, mais conhecido como Carlos de Lacerda, nasceu em Campos no dia 25 de maio de 1853 e morreu no dia 19 de maio de 1897, dias antes de completar 44 anos de idade. Era filho do m\u00e9dico Jo\u00e3o Batista de Lacerda e teve como irm\u00e3os os m\u00e9dicos Jo\u00e3o Batista de Lacerda e \u00c1lvaro de Lacerda, o advogado C\u00e2ndido de Lacerda e o jornalista Ant\u00f4nio de Lacerda. Dos cinco irm\u00e3os, o \u00fanico que n\u00e3o prestou servi\u00e7os \u00e0 causa abolicionista foi Jo\u00e3o Batista, que desde cedo se dedicou ao estudo de f\u00edsica, qu\u00edmica, bot\u00e2nica e biologia, tendo sido diretor do Museu Nacional.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p>Apesar de ter ido estudar no Rio, n\u00e3o concluiu seu curso. Os\u00f3rio Peixoto, em seu livro Momentos Decisivos da Hist\u00f3ria de Campos dos Goytacazes, diz que ele foi trabalhar na estrada de ferro que liga Niter\u00f3i a Campos, quando contraiu impaludismo (mal\u00e1ria). Retornou a Campos, onde se casou com Olympia Lacerda, com quem viveu at\u00e9 a morte. Com ela Lacerda enfrentou toda sorte de adversidades desde que abra\u00e7ou a causa abolicionista, em 1881, at\u00e9 sua morte, em 1897, quando se encontrava doente e pobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Jornalista e orador, Luis Carlos de Lacerda recebeu do Imperador Pedro II a comenda Imperial Ordem da Rosa, criada em 1829 pelo seu antecessor, Pedro I, para perpetuar a mem\u00f3ria de seu matrim\u00f4nio, em segundas n\u00fapcias, com Dona Am\u00e9lia de Leuchtenberg e Eischst\u00e4dt. Luis Carlos de Lacerda recebeu a comenda por relevantes servi\u00e7os prestados quando pertencia aos quadros da For\u00e7a Policial da prov\u00edncia (Estado) do Rio de Janeiro, na qual ingressou entre os anos de 1876 e 1878 (n\u00e3o foi encontrada a data precisa).<\/p>\n\n\n\n<p>Nomeado como Delegado de Pol\u00edcia em sua terra natal, fun\u00e7\u00e3o que exerceu entre os anos de 1879 e 1881, defendeu, no per\u00edodo, os donos de gado e gente, embora pautasse sua conduta pela justi\u00e7a e n\u00e3o permitisse torturas e humilha\u00e7\u00f5es aos escravos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1881, segundo Evaristo de Moraes (ver bibliografia), Luis Carlos de Lacerda despertou de seu sonho dogm\u00e1tico, abra\u00e7ou a causa abolicionista e participou da funda\u00e7\u00e3o da Sociedade Campista Libertadora, terceira entidade criada no munic\u00edpio para combater o sistema escravista (as duas primeiras &#8211; Sociedade Emancipadora Ypiranga, em 1880, e Sociedade Emancipadora Campista, em 1881 \u2013 tinham sido criadas pelo m\u00e9dico Miguel Her\u00e9dia, mas n\u00e3o foram eficazes ao que se propunha: angariar fundos para comprar a alforria de escravos).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sendo membro do Partido Conservador, Luis Carlos de Lacerda n\u00e3o concordava com o regime escravista. Por outro lado, n\u00e3o assumiu a causa republicana, s\u00f3 o fazendo ap\u00f3s a queda da Monarquia. No dia 17 de julho de 1881, quando a \u201cSociedade Campista Libertadora\u201d, foi criada, Lacerda foi eleito orador, mas declinou do cargo, justificando com o seguinte texto, reproduzido pelo Monitor Campista em 29 de julho daquele ano:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTratar-se da extin\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea do elemento servil, \u00e9 amesquinhar-se a ideia e ridicularizar-se a liberdade a quem n\u00e3o sabe compreend\u00ea-la, nem defini-la! Venham escolas em abund\u00e2ncia e por toda parte, que em muito pouco tempo a aboli\u00e7\u00e3o do elemento servil no Brasil, ser\u00e1 uma realidade\u201d. (Feydit, p. 360)<\/p>\n\n\n\n<p>Efetivamente, a campanha antiescravista s\u00f3 seria posta em pr\u00e1tica pela associa\u00e7\u00e3o dois anos depois de sua funda\u00e7\u00e3o, aos 27 de julho de 1883. E s\u00f3 em 25 de mar\u00e7o de 1884, nas depend\u00eancias do Teatro Empyreo, foi realizada a 1\u00aa Confer\u00eancia Abolicionista de Carlos de Lacerda. Para melhor divulgar a propaganda abolicionista, Lacerda p\u00f4s em circula\u00e7\u00e3o, no dia 1\u00ba de maio de 1884, o jornal \u201cVinte e Cinco de Mar\u00e7o\u201d, uma alus\u00e3o \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o dos escravos no Estado do Cear\u00e1, ocorrida em 25 de mar\u00e7o de 1884. O jornal funcionou numa casa de dois andares na rua dos Andradas, 72. Em 27 de junho de 1884, Carlos de Lacerda organizou uma segunda confer\u00eancia, tamb\u00e9m no Teatro Empyreo, \u00e0 qual se seguiram muitas outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Os memorialistas e historiadores n\u00e3o se escusam em classificar o maior l\u00edder abolicionista em Campos. Evaristo de Moraes, ao escrever sobre ele, diz: \u201cum homem de grande coragem pessoal\u201d, Luis Carlos de Lacerda \u201cfoi o motor central da agita\u00e7\u00e3o abolicionista em Campos, e, por isso mesmo, o mais perseguido pelo \u00f3dio dos propriet\u00e1rios de escravos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Imitando Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio &#8211; de quem fora companheiro de inf\u00e2ncia &#8211; ainda de acordo com Evaristo de Moraes, \u201cescrevia o seu jornal no estilo da Gazeta da Tarde, do Rio de Janeiro, da qual utilizava artigos, not\u00edcias e telegramas\u201d. Adotava tamb\u00e9m todos os recursos de ataque material \u00e0 escravid\u00e3o, semelhantes aos de Ant\u00f4nio Bento, em S\u00e3o Paulo, e aos do Clube do Cupim, em Pernambuco. Escondia os escravos num c\u00f4modo camuflado da sede do jornal Vinte e Cinco de Mar\u00e7o e depois os levava para os quilombos. Muitos foram enviados para o Cear\u00e1, que havia decretado o fim da escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Luis Carlos de Lacerda promovia a\u00e7\u00f5es diretas que irritavam sobremaneira os fazendeiros: libertava os cativos, ocultava os escravos em quilombos, incitava-os \u00e0 revolta, solicitava inqu\u00e9ritos e exames de corpo de delito por ofensas a escravos e, nas contendas p\u00fablicas, palestras e julgamentos, exibia instrumentos de tortura. Organizava ainda as queimas dos canaviais, provocando enormes preju\u00edzos aos detentores do poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Traduzindo as queixas dos propriet\u00e1rios rurais, senhores de milhares de escravos, a C\u00e2mara Municipal mostrou-se, em maio de 1884, alarmada com a propaganda do Vinte e Cinco de Mar\u00e7o. V\u00e1rios vereadores &#8211; fazendeiros escravocratas &#8211; acusavam o movimento abolicionista de anarquista e suas lideran\u00e7as de insuflarem os escravos \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o e sedi\u00e7\u00e3o. Em 21 de maio daquele ano, Luis Carlos de Lacerda e outro membro do Clube Abolicionista, Leopoldo Figueiras, foram obrigados a abandonar a cidade, sob a acusa\u00e7\u00e3o de subvers\u00e3o. O historiador Os\u00f3rio Peixoto Silva diz textualmente que eles foram expulsos. No Rio de Janeiro, foram recepcionados pelos l\u00edderes abolicionistas cariocas, liderados pelo tamb\u00e9m campista Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio. Receberam ajuda e retornaram a Campos no dia 11 de julho, sendo recebidos com alarido e bandas de m\u00fasica. Escrevendo sobre a estada na Corte, no Rio de Janeiro, Luis Carlos de Lacerda diz: \u201ctivemos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o, hotel, imprensa, advogados e tudo de quanto necessit\u00e1ssemos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformados, os fazendeiros ficaram mais preocupados quando, no m\u00eas seguinte, agosto, verificaram-se os primeiros inc\u00eandios nos canaviais. O jornal Vinte e Cinco de Mar\u00e7o divulgava os fatos. Com apoio de parte da sociedade e dos abolicionistas do Rio de Janeiro, principalmente Patroc\u00ednio e Joaquim Nabuco, Lacerda passou a adquirir cartas de alforria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1884, al\u00e9m do jornal Vinte e Cinco de Mar\u00e7o, Luis Carlos de Lacerda fundou o Clube Abolicionista Carlos de Lacerda, promovendo confer\u00eancias p\u00fablicas. A primeira deveria ser realizada no dia 7 de setembro de 1884. Os fazendeiros reagiram e alegaram que Carlos de Lacerda insuflava os escravos para uma insurrei\u00e7\u00e3o geral. O presidente da Prov\u00edncia enviou \u00e0 cidade uma grande for\u00e7a militar. A confer\u00eancia realizou-se mesmo assim, com os l\u00edderes Carlos de Lacerda, o poeta Lu\u00eds Milit\u00e3o e o professor Tom\u00e1s Augusto entregando 21 cartas de alforria.<\/p>\n\n\n\n<p>A 26 de mar\u00e7o de 1885, Luis Carlos de Lacerda organizou a invas\u00e3o de uma fazenda, na freguesia de S\u00e3o Gon\u00e7alo (hoje, Goitacazes), de propriedade de Orb\u00edlio da Costa Bastos, tido por homem cruel. Libertaram tr\u00eas escravos que haviam sido castigados a azorrague (chicote com oito tiras de couro com ferros cortantes nas pontas) e, depois, postos no tronco; libertaram, na oportunidade, muitos outros cativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fazendeiros promoveram um processo acusando Carlos de Lacerda de mandante, e de mandat\u00e1rios, Adolfo Porto, Adolfo Magalh\u00e3es e Feliciano Jos\u00e9 da Silva. Os abolicionistas foram acusados de terem \u201csubtra\u00eddo do poder do dono\u201d os escravos, os forros e o tronco. Segundo alguns relatos, colhidos por Rodrigo Alzuguir (autor da biografia de Wilson Batista), para o feito, os abolicionistas sequestraram um trem da linha Campos\/S\u00e3o Sebasti\u00e3o, para conduzir os escravos libertos. Luis Carlos de Lacerda foi preso, juntamente com outros envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendido mais uma vez por Sizenando Nabuco (irm\u00e3o de Joaquim Nabuco e not\u00f3rio advogado da capital, que sempre prestou servi\u00e7os para os abolicionistas), Lacerda viu a acusa\u00e7\u00e3o ser arquivada por falta de provas. Em 11 de junho, os outros acusados foram submetidos a julgamento, sendo absolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 08 de maio de 1886 o advogado e irm\u00e3o de Luis Carlos de Lacerda, C\u00e2ndido de Lacerda, enviou telegrama ao ministro da Justi\u00e7a com o seguinte teor: \u201cEsta madrugada o alferes Corte Real aqui destacado, e sic\u00e1rios, penetraram na resid\u00eancia do Comendador Carlos de Lacerda, tentando assassin\u00e1-lo, evitado pela fuga. Provid\u00eancias\u201d (Salgado, p.113). Pouco tempo depois, ainda em 1886, o pr\u00f3prio Luis Carlos de Lacerda foi ao Rio de Janeiro para se queixar, junto ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e \u00e0 chefia de pol\u00edcia no Estado, de persegui\u00e7\u00f5es ao jornal Vinte e Cinco de Mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando, em 1887, houve novos inc\u00eandios nos canaviais, os fazendeiros tentaram corromper Carlos de Lacerda. N\u00e3o conseguindo, reuniram-se e votaram por sua \u201celimina\u00e7\u00e3o\u201d. Participante da reuni\u00e3o, Raymundo Alves Moreira, o Barba\u00e7a, tomou para si a incumb\u00eancia de assassinar o l\u00edder abolicionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 24 de outubro de 1887, o jornal foi invadido pela pol\u00edcia. N\u00e3o encontrando ningu\u00e9m, os policiais seguiram at\u00e9 a casa de Adolfo Porto, que ficava pr\u00f3ximo \u00e0 reda\u00e7\u00e3o, e o prenderam . L\u00e1 estavam e tamb\u00e9m foram presos: J\u00falio Armond, Leopoldo Figueira, Feliciano Jos\u00e9 da Silva e Matos Sobrinho. Retornaram, ent\u00e3o, \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do jornal e quebraram tudo. N\u00e3o foi um \u201cato terrorista\u201d, mas sim uma ordem expressa do delegado de Pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o Vinte e Cinco de Mar\u00e7o recebeu muito apoio popular e das classes m\u00e9dias campistas, comerciantes, profissionais liberais e, em especial, m\u00e9dicos. Em fevereiro de 1888, o jornal de Lacerda voltou a circular e a atacar de forma contundente os escravocratas. Um m\u00eas e meio depois, Luis Carlos de Lacerda alcan\u00e7ou a vit\u00f3ria t\u00e3o almejada: em 25 de mar\u00e7o de 1888 o munic\u00edpio de Campos foi declarado livre da escravid\u00e3o . Somente 48 dias depois seria aprovada e sancionada pela Princesa Isabel a Lei \u00c1urea, que libertou os escravos de todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Um personagem se tornaria importante na trajet\u00f3ria de Lacerda: o fazendeiro Raymundo Alves Moreira, conhecido como Barba\u00e7a (mantinha uma espessa barba ruiva) e que possu\u00eda um cavalo batizado de Escravocrata. Diferentemente dos demais, revelava, publicamente, seu \u00f3dio a Luis Carlos de Lacerda. Pelos jornais da \u00e9poca, principalmente o Monitor Campista, fazia amea\u00e7as ao l\u00edder abolicionista, assim como comparecia a algumas palestras de Lacerda no Teatro Empyreo e admoestava o conferencista.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois empregados do Barba\u00e7a, no Beco do Barroso (entre a Catedral Diocesana e a rua Bar\u00e3o do Amazonas), atiraram contra os redatores Adolfo Porto e Jo\u00e3o Bento Alves, do Vinte e Cinco de Mar\u00e7o . Socorridos por populares, os dois foram internados no hospital e se recuperaram. Adolfo levou uma bala na cabe\u00e7a, mas sobreviveu. Luis Carlos de Lacerda acusou Raymundo Moreira de ser o mandante do atentado. Aberto o processo, os empregados de Raymundo, o Barba\u00e7a, foram presos. Depois, o pr\u00f3prio Raymundo. Mas, no julgamento, todos foram absolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que o Barba\u00e7a havia participado da reuni\u00e3o dos fazendeiros que tiveram escravos libertos por Lacerda, na qual decidiram pela elimina\u00e7\u00e3o do l\u00edder abolicionista. Tramou o assassinato de Carlos Lacerda, reunindo capangas que ficariam em pontos estrat\u00e9gicos, do lado de fora do teatro Empyrio, no dia em que o l\u00edder abolicionista fosse discursar.<\/p>\n\n\n\n<p>Luis Carlos de Lacerda marcou mais uma confer\u00eancia no Teatro Empyrio, que seria realizada em 30 de janeiro de 1887. Como de outras vezes, quando o l\u00edder abolicionista discursava, o Barba\u00e7a o provocou. Recebeu vaias e saiu. Retornou, pouco depois, com dois capangas, sendo impedido de entrar no teatro por Adolfo Porto. Reagiu e houve briga e disparos. A plateia saiu \u00e0s pressas do teatro, provocando um tumulto. Momento ideal para o atentado contra Lacerda. Tiros ecoaram e, em seguida, o abolicionista Lu\u00eds Ant\u00f4nio Fernandes recebeu uma bala na cabe\u00e7a e caiu no ch\u00e3o, morto. Mais uma vez o fazendeiro Raymundo Alves Moreira, o Barba\u00e7a, foi acusado, mas n\u00e3o havia provas e ele foi liberado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a decreta\u00e7\u00e3o do fim da escravid\u00e3o em Campos, em 25 de mar\u00e7o de 1888, e o fim da escravid\u00e3o no Brasil, em 13 de maio do mesmo ano, o problema escravista ficou apenas nos parlamentos. Durante anos, partid\u00e1rios dos fazendeiros defenderam a indeniza\u00e7\u00e3o por parte do governo pela liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, que lhes custaram dinheiro. Por seu turno, partid\u00e1rios dos abolicionistas defenderam o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o aos escravos, pois os libertos n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia nem onde morar. Os governos republicanos n\u00e3o atenderam suas demandas, exigidas por congressistas que defenderam o fim do regime escravista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 21 de julho de 1889, o fazendeiro Raymundo Alves Moreira, o Barba\u00e7a, foi assassinado por dois empregados (escravos libertos) de Luis Carlos de Lacerda. Barba\u00e7a estava a cavalo quando foi derrubado e morto a golpes de foice e fac\u00e3o. Os assassinos cortaram a orelha do fazendeiro para mostrar ao comendador (Carlos de Lacerda), segundo disseram depois \u00e0 pol\u00edcia. A pol\u00edcia prendeu os dois suspeitos, que confessaram o crime. Acusado de ser o mandante, Luis Carlos de Lacerda tamb\u00e9m foi preso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez o irm\u00e3o de Joaquim Nabuco, Sizenando Nabuco, veio a Campos e fez a defesa de Luis Carlos de Lacerda. Estava acompanhado dos advogados Pedro Tavares e C\u00e2ndido de Lacerda. Julgado em 24 de mar\u00e7o de 1890, foi absolvido. Os dois assassinos foram condenados a trabalhos for\u00e7ados \u201cpelo resto de suas vidas\u201d. Lacerda saiu do julgamento muito abalado com a condena\u00e7\u00e3o dos ex-escravos, que ele havia libertado e que, talvez sob tortura, haviam dito que o mandante fora ele, Lacerda.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse epis\u00f3dio, Luis Carlos de Lacerda passou a ter crises nervosas, e a vida, para ele, parecia n\u00e3o ter mais sentido. Acabrunhou-se. Seu estado de sa\u00fade, que nunca foi muito bom desde que contraiu mal\u00e1ria, ainda jovem, agravou-se. Faleceu em 1897, com 43 anos de idade. Mais de tr\u00eas mil pessoas compareceram ao seu sepultamento, e toda a cidade assistiu ao cortejo. As lyras Oper\u00e1rios Campistas, Guarany, Conspiradora e Apollo executaram as marchas f\u00fanebres durante o trajeto, que durou tr\u00eas horas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALZUGUIR, Rodrigo. Wilson Batista \u2013 o samba foi sua gl\u00f3ria. Editora Casa da Palavra. Rio de Janeiro, 2013;<\/p>\n\n\n\n<p>CARVALHO, Waldir Pinto de. Gente que \u00e9 nome de rua, Volume I. Edi\u00e7\u00e3o do autor, Campos dos Goytacazes,1985;<\/p>\n\n\n\n<p>LIMA, Lana Lage da Gama. Rebeldia Negra e Abolicionismo. Rio de Janeiro: Achiam\u00e9, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>MACHADO, Gast\u00e3o. Os crimes c\u00e9lebres de Campos, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Ind\u00fastrias Gr\u00e1ficas Atlas Ltda, Campos dos Goytacazes, 1966\/1967;<\/p>\n\n\n\n<p>MORAES, Evaristo de. A Campanha Abolicionista. Rio de Janeiro: Liv. Ed. Leite Ribeiro, 1934;<\/p>\n\n\n\n<p>RODRIGUES, Herv\u00e9 Salgado. Na taba dos Goytacazes. Imprensa Oficial, Rio de Janeiro, 1988;<\/p>\n\n\n\n<p>SILVA, Os\u00f3rio Peixoto. Os momentos decisivos na hist\u00f3ria de Campos dos Goytacazes. Edi\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Comunica\u00e7\u00e3o da Petrobras, 1984, Rio de Janeiro, 1984;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00cdTIO eletr\u00f4nico: autorescampistas.blogspot.com.br<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pesquisa e texto: Avelino Ferreira<\/strong><br><strong>Revis\u00e3o: Gustavo Smiderle<\/strong><br><strong>Campos dos Goytacazes, 25 de mar\u00e7o de 2016<br><\/strong><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/novo\/images\/camara\/memorialcamara\/luiz01.jpg\" alt=\"\"><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/novo\/images\/camara\/memorialcamara\/luiz02.jpg\" alt=\"\"><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/novo\/images\/camara\/memorialcamara\/luiz03.jpg\" alt=\"\"><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/novo\/images\/camara\/memorialcamara\/luiz04.jpg\" alt=\"\"><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/novo\/images\/camara\/memorialcamara\/luiz05.jpg\" alt=\"\"><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/novo\/images\/camara\/memorialcamara\/luiz06.jpg\" alt=\"\"><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.camaracampos.rj.gov.br\/novo\/images\/camara\/memorialcamara\/luiz07.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Memorial\u00a0\u00a015 Dezembro 2015 Luiz Carlos de Lacerda Luis Carlos de Lacerda, mais conhecido como Carlos de Lacerda, nasceu em Campos no dia 25 de maio de 1853 e morreu no dia 19 de maio de 1897, dias antes de completar 44 anos de idade. Era filho do m\u00e9dico Jo\u00e3o Batista de Lacerda e teve como irm\u00e3os os m\u00e9dicos Jo\u00e3o Batista de Lacerda e \u00c1lvaro de Lacerda, o advogado C\u00e2ndido de Lacerda e o jornalista Ant\u00f4nio de Lacerda. Dos cinco irm\u00e3os, o \u00fanico que n\u00e3o prestou servi\u00e7os \u00e0 causa abolicionista foi Jo\u00e3o Batista, que desde cedo se dedicou ao estudo de f\u00edsica, qu\u00edmica, bot\u00e2nica e biologia, tendo sido diretor do Museu Nacional.&nbsp; Apesar de ter ido estudar no Rio, n\u00e3o concluiu seu curso. Os\u00f3rio Peixoto, em seu livro Momentos Decisivos da Hist\u00f3ria de Campos dos Goytacazes, diz que ele foi trabalhar na estrada de ferro que liga Niter\u00f3i a Campos, quando contraiu impaludismo (mal\u00e1ria). Retornou a Campos, onde se casou com Olympia Lacerda, com quem viveu at\u00e9 a morte. Com ela Lacerda enfrentou toda sorte de adversidades desde que abra\u00e7ou a causa abolicionista, em 1881, at\u00e9 sua morte, em 1897, quando se encontrava doente e pobre. 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