Gastão Machado

Gastão Machado

Memorial  15 Dezembro 2015

Gastão Machado

Gastão Machado foi jornalista, escritor, teatrólogo e desenhista. Nasceu no dia 25/03/1899 e faleceu no dia 26/03/1964. Autor de cerca de 40 peças teatrais, entre comédias, dramas, burletas e revistas. A revista mais famosa foi “Campos é Assim” e também a burleta “A Menina do Açúcar”. Algumas de suas peças foram encenadas no Rio de Janeiro. Gastão Machado também foi sócio e proprietário de teatros.

Autor do livro (único) “Os Crimes Célebres de Campos”, Gastão Machado era, para muitos de seus incontáveis amigos, entre os quais o jornalista e ex-presidente da Associação de Imprensa Campista, Hebson Freitas, “um baú de histórias”. Funcionário do “Diário Oficial do Estado”, atuou como jornalista em vários veículos de comunicação. Campista bairrista e “amigo de todos”, deixou o consagrado monólogo-poema “CAMPOS”:

“…Como me orgulho de ti, / terra augusta de Peri, / senhora de encantos mil! / Campos de Benta Pereira, / cidade mais brasileira / de todo o nosso Brasil”.

O busto em homenagem a Gastão Machado foi confeccionado e erigido na Praça São Salvador, por iniciativa de Latour Arueira e vários jornalistas e admiradores. Com a reforma da praça, foi levado para o Palácio da Cultura e de lá, para a Praça Nilo Peçanha, ao lado da Academia Campista de Letras, por iniciativa da Associação de Imprensa Campista e Academia Campista de Letras.

Em 2003, o escritor Waldir de Carvalho escreveu uma crônica no seu Blog Historiando, que revela um pouco de como era Gastão Machado:

“Após um período de muita ansiedade, o dia chegou. Descemos do trem na Estação da Avenida e tomamos o bonde para o Centro. Meu tio e mestre José Prisco e eu fomos ao encontro do jornalista e autor de “Campos Assim”, numa das mesas do Café Lord, na Treze de Maio, hoje Boulevard de Paula Carneiro. Era uma casa de estilo colonial, com mesas de mármore e cadeiras austríacas.

Encontramos o bem humorado homem de teatro em companhia do jornalista e maestro Prisco de Almeida. Foi apresentado José Prisco a Prisco José. O curioso fato foi festejado com média, pão com manteiga e boas gargalhadas.

A seguir, mostrei ao teatrólogo alguns dos meus escritos em forma de “skets”, nas quais procurava colocar em cena, acontecimentos do cotidiano recheados de diálogos naturais.

Após uma leitura dos mesmos, convidou-me a frequentar a sala do Diário Oficial, no Edifício Trianon, onde o encontro de intelectuais era constante e as tertúlias literárias valiam por verdadeiras aulas para principiantes nas letras.

Segui o precioso conselho e todas as semanas tirava um dia para assinar o ponto na mini Academia onde tive a ventura de conhecer figuras como os poetas Antonio Silva e Carlos Amorim; o escritor Godofredo Tinoco e consagrados atores, que se achavam atuando profissionalmente em Campos.

Aquela convivência foi de grande valia para mim. Além de leituras de peças teatrais as conversas eram as mais interessantes.

Uma coisa curiosa: Gastão Machado atraía para aquele ambiente, entre outras pessoas, tipos curiosos, de rua, poetas populares cujas manifestações serviam de inspiração para escrever quadros alegres em suas festejadas revistas teatrais encenadas no Teatro Paris.

Foi dessa forma que eu também me inscrevi na “escola” do grande Gastão Machado.

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Alberto Frederico de Moraes Lamego

Alberto Frederico de Moraes Lamego

Memorial  15 Dezembro 2015

Alberto Frederico de Moraes Lamego

Alberto Frederico de Moraes Lamego nasceu em Cabuçu, em Itaboraí/RJ em 09 de outubro de 1870. Era filho dos portugueses comendador José Maria de Moraes, da cidade de Lamego, acrescido ao seu nome, e Sofhia Violante Jardim, da Ilha da Madeira. Alberto Lamego faleceu em 24 de novembro de 1951, no Rio de Janeiro, sendo sepultado em Campos.

Sua biografia, no Instituto de Estudos Brasileiros, é bastante resumida. Conta que ele cursou por três anos a Faculdade de Direito de Recife, mas formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1892, em São Paulo. Depois que bacharelou-se, atuou no Rio de Janeiro e, depois, instalou-se em Campos dos Goytacazes, onde casou-se com Joaquina Maria do Couto Ribeiro, filha do comendador Cláudio do Couto e Sousa, proprietário do Solar dos Ayrizes.

O casal teve oito filhos: Maria Sofia Lamego Braga, Alberto Ribeiro Lamego, Cláudio Ribeiro Lamego, Maria Francisca Ribeiro Lamego, Maria Eugenia Ribeiro Lamego, Maria da Conceição Lamego Viana, José Maria Ribeiro Lamego e a filha que nasceu em Portugal, em 23 de março de 1909, Maria de Jesus Lamego.

Em Campos, Alberto Frederico de Moraes Lamego foi advogado, escreveu em jornais e exerceu cargos federais, até 1906, quando viajou para a Europa, fixando-se em Lisboa, Paris, Bruxelas e Londres nos 14 anos que viveu no “Velho Continente”.

Em todo esse tempo, frequentou arquivos e copiou muitos documentos relativos à História do Brasil, principalmente de Campos, assim como frequentou livrarias e adquiriu obras raras que originaram sua coleção Brasiliana, adquirida mais tarde, em 1935, pelo Governo do Estado de São Paulo e entregue à Universidade de São Paulo, até que foi transferida definitivamente, em 1968, para o Instituto de Estudos Brasileiros.

Residindo no Solar dos Ayrizes, que lhe pertencia por herança de sua esposa, escreveu diversas obras, sendo a principal delas, para os campistas, A Terra Goytacá à Luz de Documentos Inéditos, em oito volumes, sendo os três primeiros volumes impressos em Paris/Bruxelas, em 1913 e os demais, no Brasil.

Alberto Frederico de Moraes Lamego foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Archeológico de Pernambuco, do Instituto Histórico de São Paulo, da Universidade Hispano-Americana de Santa Fé de Bogotá e da Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos.

Publicou seus estudos em vários jornais da região e do Brasil, bem como nas revistas do Instituto Histórico e da Academia Brasileira de Letras

A família Lamego e a I Guerra Mundial

Com a implantação da República portuguesa em 1910, as ordens religiosas (as assistenciais e educadoras, pois as demais haviam sido expulsas pela Monarquia) são proibidas e padres e freiras expulsos. Os colégios religiosos fechados (encampados pelo Estado).

Os filhos de Alberto Lamego estudavam nas escolas religiosas, que cessaram suas atividades. Ele reúne a família e se muda para Bruxelas, na Bélgica. Começando a I Guerra Mundial em 1914, os alemães invadiram a Bélgica e Alberto Lamego, com sua família, muda-se para Londres, onde permanece até o final da guerra, em 1918.

No período da guerra (1914/1918), A família Lamego prestou auxílio a muitos brasileiros. Como nação não envolvida na guerra, os alemães respeitaram a bandeira brasileira que Alberto Lamego colocou em sua residência. Como ajudou a outras pessoas que resistiam à invasão alemã, além de defender a autonomia belga, o rei da Bélgica condecorou Alberto Lamego por serviços prestados naqueles anos.

Retornando ao Brasil, Alberto Frederico de Moraes Lamego viveu entre Campos (inclusive tendo sido diretor do Liceu de Humanidades de Campos) e Rio de Janeiro, cidade onde faleceu em 1951, aos 81 anos de idade. Foi sepultado em Campos.

Alberto Frederico de Moraes Lamego deixou uma vasta obra:

Verdadeira Notícia da Fundação da Matriz de São Salvador e de seus Párochos de 1652 – 1925;

O levante de 1748 – Conferência pronunciada na Câmara Municipal em 1948;

Verdadeira Notícia do Aparecimento da Milagrosa Imagem de N. S, da Conceição (Cabo Frio) – 1919;

História da Santa Casa –1951;

História de Campos dos Goitacás, sob domínio dos donatários -1534-1753 –(Manuscritos – coleção de J. F. Carvalho –181 folhas);

Os motins do “Maneta” na Bahia – 1929;

A Academia Brasílica dos Renascidos –sua fundação e trabalhos imediatos 1923;

A Terra Goitacá – À luz de documentos inéditos – oito volumes

Efemérides da Terra Goitacá – vol I – 1945;

Efemérides da Terra Goitacá – vol II – 1947;

A Capitania de São Tomé sob o domínio dos donatários – (separata R I H G B);

Autobiografia e Inéditos de Cláudio Manoel da Costa – 1912;

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Julio Feydit

Julio Feydit

Memorial  15 Dezembro 2015

Julio Feydit

Julio Feydit nasceu em Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, no dia 26 de julho de 1845, no Cortume da Coroa, que se situava em frente ao Cemitério do Caju (Cortume é um local onde se processa o couro cru, tendo por finalidade deixá-lo utilizável para a indústria). Era filho de José Feydit, de nacionalidade francesa e da campista Josepha Pinheiro de Jesus.

Casado com Thereza Koch Feydit, também campista e filha de David Koch, imigrante alemão procedente da Cidade de Baden-Baden, Julio Feydit teve, com ela, onze filhos. Em sociedade com seu sogro, dirigiu um Cortume, no local conhecido como Covas D’Areia.

Nas horas de folga, Julio Feydit se entregava com alma ao trabalho de pesquisar dados sobre sua terra, leituras de antigos jornais, atas da Câmara Municipal, de grandes Sociedades, etc., dados esses que cuidadosamente reunidos resultaram no livro que tem por título “Subsídios para a História dos Campos dos Goytacazes”. Lançado em 1900, o livro de Feydit tem servido de fonte para gerações de pesquisadores. Na introdução, ele escreve:

“A obra que apresentamos não tem a pretensão de ser um escrínio literário. É a uma pena mais autorizada que a nossa, a quem pertence o direito de escrever os fatos que devem constituir a história de Campos. Até que apareça um campista que, recolhendo os subsídios que coordenamos no presente livro, faça desses toscos materiais o monumento da História de Campos, seja-nos lícito esperar que os nossos conterrâneos, aceitem com benevolência o presente livro, como o repositório conquistado às traças pelo humilde trabalhador que procurou aplainar as primeiras dificuldades ao futuro historiador (…)”.

Amigo de Alberto Frederico de Moraes Lamego, Julio Feydit, nomeado prefeito em 04 de outubro de 1907, escreveu ao historiador, que estava na Europa (que publicou uma extensa carta de Feydit no volume VI da Terra Goytacá), narrando o que estava fazendo “para quando regressar, não dizer que dormi, sem nada fazer pela nossa querida Campos”.

Segundo Hervé Salgado Rodrigues, em sua obra “Na Taba dos Goytacazes”, nessa carta, Julio Feydit diz que estava consertando todos os calçamentos e prolongando a rua Formosa. Em outra carta a Lamego, escreve:

“a política vae agora mais calma e os mais exigentes vão se conformando com os factos. Alguns ainda não se mostram satisfeitos com a minha administração, porque não posso satisfazê-los com empregos políticos”. “(…) Todas as ruas à margem do rio, em Guarulhos, estão niveladas e preparadas para rodar os automóveis, que o amigo virá iniciar em Campos. Vou fazendo o que posso para melhorar a nossa cidade”.

Em suas atividades de homem público, Julio Feydit exerceu as funções de delegado de policia, vereador os e prefeito (no período de 1907 a 1910).

Julio Feydit faleceu em Campos, em sua residência, na Avenida José Alves de Azevedo (ex- Avenida Visconde do Rio Branco) esquina com a Avenida 28 de Março (Passeio Municipal) no dia 18 de maio de 1922.

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